Lá comecei a rabiscar minhas primeiras letras. Gostava de ir à escola, pois lá tinha um contato maior com os livros, coisa que em casa eu não tinha. Minha mãe não sabia ler nem escrever, mas ela sabia a importância que tinha o estudo em nossa vida. E meu pai colocava nas mãos dela toda a responsabilidade. A professora que me marcou nesta época foi a irmã Plácida. Ela me incentivou muito na leitura e também no desenho, gostava muito de desenhar. Lembro-me de que fazíamos as avaliações em papel pautado e todas elas tinham capas bonitas e coloridas com o nome de cada aluno. Ao fim do primeiro semestre, as capas das avaliações eram com motivos juninos e no segundo eram com as festas natalinas. Eu ficava toda orgulhosa porque ela sempre me chamava para junto com ela fazer as capas e colori-las. Aos sábados, as freiras escolhiam alguns alunos para fazer a faxina na escola e eu gostava muito disso. Quando terminávamos de limpar as salas de aula, elas davam-nos lanche e também pequenos livrinhos de històrias, com os quais me deliciava na leitura no fim de semana e pedindo a Deus para que a segunda-feira chegasse logo, para começar tudo de novo.
Quando completei 10 anos, minha família mudou para outra cidade onde moro hoje. Nesse meio tempo eu fiquei na casa da minha madrinha para não perder o ano letivo. Todo fim de semana eu vinha para casa e na segunda- feira estava de volta. Fiz o ensino fundamental II e o colegial (ensino médio) na escola Estadual. O livro que marcou a minha infância foi " O meu pé de laranja lima", não sei bem ao certo o autor, mas acho que era José de Vasconcelos. Reli-o várias vezes, como também, várias vezes, chorava com o sofrimento da personagem do livro. No ínícío da minha adolescência descobri as revistas de fotonovelas, livros de romances como Júlia, Sabrina e outros que arrumava emprestado com as colegas. E gostava também de ir à biblioteca municipal para pegar livros emprestados. A biblioteca era um lugar grande e estranho, de paredes altas e com uma escadaria de madeira caindo aos pedaços, que ao subirmos, fazia bastante barulho. Em casa costumava ficar lendo até tarde da noite, meu pai, muitas vezes reclamava. Ele chegou até a desligar o contador de energia para que eu fosse dormir. Como eu era teimosa... acendia uma vela e ia terminar de ler o livro apenas com a luz da vela. Quando terminei o ensino médio, não fiz logo faculdade, pois meus pais não tinham condições de pagar. Fui trabalhar no comércio local. Alguns anos depois fiz o vestibular para o curso de letras na FFPNM em Nazaré da Mata. E como toda pessoa que estuda e trabalha ao mesmo tempo, fica tudo muito corrido. Nessa época, aconteceu um fato muito engraçado e ao mesmo tempo sério. Tínhamos que apresentar um seminário sobre um livro de Machado de Assis, era Memórias Póstumas de Braz Cubas. E não é que li o livro errado! Acabei lendo Dom Casmurro. Chegando à faculdade saí doida atrás de um resumo para tentar contornar a situação. Imagina a agonia!
No ano de 1993, comecei a trabalhar na educação como professora substituta, na mesma escola onde cursei o ensino fundamental II e o ensino médio. Substitui uma professora que estava prestes a aposentar-se. Em meados do ano seguinte, não mais como professora substituta, comecei a lecionar na escola onde estou até hoje, a Escola Professora Jandira de Andrade Lima.